segunda-feira, abril 21, 2008

Sem precisar de nome.

Terça é um dia escasso pra notícias. A semana mal começou, a vida não mudou muito desde ontem. Tudo o que estava ali era a xícara fumegante e jornal sem uso. Adorava pegar um jornal antes de todo mundo, com as folhas ainda certinhas, os cadernos bem dobrados e encaixados e o cheiro de tinta guardado. Costumava apoiar o caderno de esportes em cima da mesa, ainda lendo repercussões dos jogos do fim de semana. Seu time ganhou, queria mesmo avidamente os comentários. Nós homens temos isso. Queremos que falem exaustivamente das vitórias gloriosas dos nossos times. Assim como queremos falar exaustivamente sobre o que quer que seja de glorioso que fizemos para nos manter homens e vitoriosos. Somos tolos.

Levantando a cabeça de tempos em tempos pra observar os pedestres do outro lado do vidro. Num roteiro quase Nova Iorquino. Quase Paulistano. Quase escrito. Pediu mais um. Sempre forte. Dessa vez postou as mãos ao lado da xícara e ficou afastando e aproximando pra sentir seu calor. Naquele dia seriam 2 logo cedo pra aguentar o tranco e a cadência do que sabia que viria. Bebeu, saboreou, sentiu preguiça de ter que pagar a conta e abandonar o lugar. Ali era tudo tão quente e confortável, tudo tão despretencioso e calmo. Já reparou como são os ambientes desses lugares? São marrons, amadeirados, levemente escuros e acolhedores. Colocam você dentro de uma xícara e despejam aroma sobre sua cabeça.

Como viveu tanto tempo sem paladar... Como viveu tanto tempo sem aquela atendente vindo dar-lhe a bebida? Agora tudo o que ele podia desejar eram doses diárias. Do cheiro, do gosto, do calor, da idéia.

Esse tempo passou. O que importa é daqui pra frente. Que venha sua água dividir os meus rumos, se embeber de gosto e despertar. Porque o tempo provou que se pode saborear até do que já teve amargor. Se não provarmos, nunca saberemos se tem sabor.

8 Comments:

Anonymous Personagem em construção said...

Sem contar que nosso paladar é mutante, mesmo que a gente não se dê conta.

9:44 PM

 
Blogger Rodolfo Barreto said...

Estou por aqui torcendo para que os grãos sejam muito bem selecionados.

2:01 PM

 
Blogger Gastón said...

Rô (sim, vou delatá-la), o paladar muda com o tempo mesmo. A gente amadurece junto com ele.

Rods, esse blend é fantástico, meu amigo.

Esses comments ficam às moscas quando eu reslvo falar sério... suspiro*

5:46 PM

 
Anonymous Anônimo said...

Normalmente, se a coisa é séria e o pensamento está bem traçado, cabe à Diretoria apenas observar e torcer em silêncio.Caso haja algum deslize, certamente vc terá q comparecer à secretaria, e falar com a Marina ou a Dora...e assinar o Livro de ocorrências.
Sister Rogéria.

6:51 PM

 
Anonymous Daniel said...

Cara, vou te dizer que a introdutória desse texto é a minha manhã todinha rsrsrs. Um abraço e belo texto.

http://so-pensando.blogspot.com

2:32 AM

 
Blogger Gastón said...

Sister Rogéria, deslize seria ser pego atrás da capela?

Daniel, logo se vê que você não é corinthiano. Sabe como é, corinthiano ler sobre vitorias do time no jornal... rsrsrsrs. Abraço meu velho.

6:07 PM

 
Blogger FINA FLOR said...

também senti muito prazer em voltar a ter paladar quando parei de fumar e seeeeeempre acho que estou em NY quando ando na paulista, kkkk

beijos, dear

MM.

ps: obrigada pela força no caso "vizinhos", rsrsrs*

se quiser, passe lá para ver as cena do próximo capítulo.

11:52 PM

 
Blogger *juju* said...

sweet :)

12:25 PM

 

Postar um comentário

<< Home

 
web site hit counter