domingo, março 09, 2008

Rotina no casamento

Eu curto bem uma festinha de casamento. É muito legal ver todos os seus amigos e amigas arrumados, ternos, vestidos, cabelo (pra quem tem), aquela birita toda rolando, jantar, mesona de doces, bem-casado pra roubar de mãozada no final, etc.

Mas alguém me explica porque raios em TODA festa de casamento toca sempre AS MESMAS MÚSICAS? E na mesma seqüência. Pergunto então a quem já passou pela experiência: isso é pedido dos noivos ou culpa das bandas?

Eu sempre chego numa festa com aquela espectativa de "Pô, esse meu amigo é hypado, só vai tocar indie nessa festa". Ou então "Vixe, essa chicleteira vai me entupir de axé a noite inteira". Que nada. Festa de casamento é sempre tudo igual quando o assunto é fazer o povo dançar.

Sempre começa com clássicos americanos. Até já disse aqui nesse blog que é a parte que eu mais curto. Aquele set recheado de Cole Porter que todo bom krooner americano gravou. Frank Sinatra, Tony Benet, Michel Buble e por aí vai. Pô gente, é legal vai? Onde mais se veste terno e gravata e tira uma mulher toda arrumada pra dançar ao som de Frank Sinatra? Tudo começa com "New York, New York". Depois vem "I've got you under my skin", "Fly me to the moon", "Night and day", "Chic to chic" entre tantas outras. Pra mim, metade da festa podia ser só disso e esse povo que fizesse uma aulinha de dança de salão pra não fazer feio, não me dar bundada e nem pisar no meu pé.

Quando acaba esse set de músicas é a hora de chamar os noivos pra Valsa. Valsa? Não entendo nada de valsa mas é sempre a mesma também. Se um dia eu bancar uma festa dessas vou pular esse lance de valsa. Ninguém gosta. Quero dizer, eu não gosto.

Hora do jantar e a musiquinha ambiente fica rolando até que a banda retorne. E quando ela volta vai tocar o que? Heim? Eu sei que você sabe. Eu também sei. Todo mundo sabe. A banda toda está de jaqueta de couro, óculos escuros, as meninas de sainha curtinha porque lá vem os anos 60. E em toda sacro-santa festa de casamento do universo aquele medley (poupurri pros mais velhos) de músicas feito pelo Jive Bunny and the master mixies é o que abre essa parte. "Common Every body, C-C-C-Common everybody: Ta-ta-ta-ta-ta-taaa-taaaaam, Ta-ta-ta-ta-taa-taaaaam...". Tô mentindo? Não é sempre assim? Depois vai rolar La Bamba, Grease, Banho de Lua e Twist and Shout (com direito à coreografia das mãozinhas pra cima na hora do aaaaaAAAAAAAAAÁÁÁÁÁÁA).

Seguindo a cronologia, falsetes a postos pra começar a mandar uma chuva de Bee-gees nos set dos anos 70. Sem dúvida o mais divertido porque nunca se fez música tão boa pra dançar que nem nessa época. E a gente também tem culpa nessa mesmice das festas de casamento, não vou negar. Porque é um tal de todo mundo sempre imitar John Travolta, fazer coreografia Village People e por aí vai. Depende do grau alcoólico. Eu perco a noção. A essa hora a pantufa de jaca já tá deslizando no salão.

Chegou a hora dos anos 80. Agora tá essa moda de música infantil. Eu detesto isso. Também não sei porque sempre começa com "Tá na hora, tá na hora, tá na hora de brincar...". Odeio Xuxa. Aí vem Chaves, He-man, Super-Fantástico e toda aquela síndrome de Peter-Pan insuportável. Curada essa fase, sempre é bom ouvir as músicas que tocavam nas festinhas de quando a gente (eu) era moleque. New Order, Erasure, Rick Astley, Information Society, Cindy Lauper e ombreiras com topete mundo afora.

Depois a banda fica com dó de pessoas como eu e toca umas 3 musicas de rock. Geralmente eles erram feio, mas tocam. Agora tão chamando "Tropa de elite" de rock. Esquece.

Esquece mesmo porque chegou o momento de sentar todo suado naquela cadeira onde seu paletó está pendurado, pedir uma água pro garçom e dar uma descalçada no sapato. Vai tocar o trio desespero: forró-axé-samba. Afe. Só se eu estiver munido do meu trio anti-desespero: humor-birita-gostosa. Se não dificilmente eu entro nessa. Uma coisa que eu não entendo: porque todo mundo se empolga naquela música "Viveeeeeer, e não ter a vergonha de ser feliz..."? Toca tanto essa porcaria que eu peguei birra. E é ela que abre o Samba da noite, sempre.

Chegando ao fim de mais um enlace matrimonial, preparo os bolsos do terno pra receber bem-casados e parto com os pés doloridos a caminho de casa pensando comigo mesmo: será que não tem como evitar de ser tudo sempre igual? Acho que não. É tão tradicional quanto a missa.

Já combinei com uma amiga minha que se um dia a gente casar ela vai entrar na igreja de All Star e vai ter uma banda de Rock tocando Beatles. Do all star eu bem acho que o lado mulherzinha vai falar mais alto e ela arrega no último minuto (que fique bem claro que isso é idéia dela), mas que vai rolar umas guitarras, isso vai.

Aproveitando, se tiver aí algum padre de plantão, queria sugerir um novo texto pros casórios em geral:

Prometo amar-te na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza e no show do Pink Floyd e do Chiclete, amém.

Só pra dizer que o casamento tá de pé depois que você tiver que encarar uma micareta com a sem noção da sua mulher.

Até que a Ivete nos separe.

26 Comments:

Anonymous Ana Carol said...

Muito bom o post! Descreveu perfeitamente os casórios de hoje em dia.
Não sei como é em Sampa, mas aqui no Rio, quando tá no meio da festa e o pessoal já tá meio alto, tá na moda distribuir havaianas e uns apetrechos de R$ 1.99 made in China comprados no Saara (a 25 de Março daqui). Arquinho com anteninhas, uns troços que brilham pra pendurar no pescoço, peruca, óculos em forma de estrela... E o povo disputa a tapa!
Beijo.

3:07 PM

 
Anonymous Camila said...

Aqui em Vitória é tudo igual ao q vc descreveu e tbm tá na moda isso q a ana carol falou....

Ótimo texto.

Bjo

5:30 PM

 
Blogger Gastón said...

Ana Carol, aqui em sampa tb rola a mesma coisa. foi só um inventar pra todo mundo copiar e virar tradição. Mico coletivo em grande estilo. Eu curto :0)

Camila, é igual em toda parte. Rio, Sampa, Vix... todo lugar a galera faz casamento igual. E como são poucos durante o ano, a gente curte.

6:24 PM

 
Blogger Cláudia said...

Gastón, sabe que a cerimonia de casamento da minha irmã foi toda com musica dos Beatles, pq meu cunhado adora Beatles?
De resto, as festas sao assim mesmo, mas é muito mais legal do que aqueles casamentos pseudo-chiques que fica todo mundo sentado fazendo caras e bocas.

beijo

10:39 PM

 
Blogger Mulher Solteira said...

Gasta,
em qual dessas fases da festa toca "o amooooor / é o caloooor / que aqueeece aaa alma" e "eu vou deixaaaar / a vida me levaaar"???
Essas são duas obrigatórias e eu confesso: quando tocam, eu pulo que nem uma doente.
Beijoca!

12:18 AM

 
Blogger Anninha said...

Na doença, pobreza, tristeza... prometo feliz, mas casar com um chicleteiro nem se eu estiver solteirona no fim da linha dos meus ovários. Gente, tive um flashback de todos os casamentos que já fui - a trilha foi fielmente reproduzida.

1:24 AM

 
Blogger ANNA said...

Aqui em Curitiba � tudo igual ao que vc e as garotas acima descreveream, inclusive o meu casamento foi bem assim e eu dancei feito uma louca, os convidados dizem que nunca viram uma noiva aproveitar tanto a sua pr�pria festa de casamento. Eu dancei at� funk na minha festa de casamento!!! Justo eu!!!
Tem at� foto no orkut pra comprovar!!!
Agora, fala s�rio... Mesmo com todas essa breguices, micos e afins... n�o � bom demais?
Beijo
(urb)Anna

8:51 AM

 
Blogger MH said...

Odeio casamento, pronto falei!
E agora que a moda é casar longe:
Qdo digo longe to falando pra la de Embu, Itapecirica e por ai vai.
E quando é na praia. Inferno total, só é legal para os noivos.
Eu sempre me perco nesses casamentos fora da zona sul.
E as musicas são o mesmo horror de sempre, voce acertou em cheio.
NO MEU CASAMENTO EU RESOLVI MUDAR:
Escolhi uma trilha rock n roll, black music e uma tequineira no final.
JUro, ninguem dançou, até a hora que o cara colocou forro e axé e biquini de bolinha amarelinha...INCRIVEL.
Ou seja, os DJs tocam aqueles porcarias porque, pasmem, é o que o povo quer ouvir.
Ah! teve o casamento de uma amiga minha que ela entrou na igreja, linda, vestidinha de noiva, ao som re Tom Sawyer do RUSH (sabe aquela musica do macgyver?).
NUnca vou esquecer da cara das tias e da vozinha dela.
Pânico total.

11:29 AM

 
Blogger Gastón said...

Clau, deve ter sido o máximo. eu, honestamente, acho muito mais bacana. Sem exageros (que nem a amiga do MH que tacou um Rush), mas eu curto. Um amigão meu entrou na igreja com Bitter Sweett sinphony do The Verve. Foi bem legal.

Mulher solteira, essa é do bloco Pop Rock. Junto com o tropa de elite.

Anninha hahahahahahaha, sensacional. Olha, chiclete é litigioso na certa. Até agora as chicleteiras não vieram comentar. Espera só mc, aninha e companhia... vão cair matando rsrsrs. Já voltou pra Buenos?

Anna, é ótimo, a gente se diverte pra cacete. eu adoro festa de casamento. Menos a parte do pancadão, axé, etc...

MH, Tom Sawyer???? Ela saiu da igreja com o que, Enter Sandman?

12:13 PM

 
Anonymous Lunna said...

Cheguei ! A soteropolitana, chicleteira, fã de Ivete...
Ah ! Adoro um Rock, mas farra boa é com aquele tanto de percussão mesmo e que me atire o primeiro berimbau quem não tem um romance-trio-eletrico para contar ! Sempre achei que a maior prova de amor de um casal´é aguentar o aperto de um encontro de trio na Castro Alves ou a subida da Carlos Gomes de bom humor !
Agora em matéria de casamento nada se compara aos clássicos, fecho contigo. E se sua amiga "patricinha" não topar casar de all star me liga que eu aceito...sempre achei a ideia fantástica ...! ;-)

1:23 PM

 
Anonymous tôca said...

E aí, Gastón! Man, apenas dois adendos, você me permite?

- Cadê a parte que toca um monte de música de gay, village people e a galera começa a se revelar? "Não, essa música não. Que gay". Mas quando mal se percebe, está fazendo o Y com o braço.. do YMCA!

- E aquela briga clássica de bêbados, final de festa?

Sensacional o post! Festa de casamento é sempre igual, tudo novo, de novo! Abração, man!

2:24 PM

 
Blogger Gastón said...

Lunna, minha soteropolitana do planalto central, tava faltando você. Atirar o primeiro berimbau só se for na cabeça do cara cantando axé rsrsrs. Pode deixar que se a Patricinha falhar, compro um branquinho 36 pra vc. Serve?

Tôca, essa é a parte dos anos 70 meu amigo. Bicho, essa é a parte mais divertida da festa. Aquele bando e tiozão de gravata na cabeça mandando ver no Macho Man. Desce whiskão e vai com tudo.

3:00 PM

 
Anonymous Fernanda Salgado said...

é... em casamentos é difícil mesmo staying alive. Mas o legal é que a gente conhece vários strangers in the night que podem até dar um groove in the heart.

Tenho um casamento dia 28 pra ir (meu primeiro paulistano). Mas não se preocupe: I will survive :)

4:15 PM

 
Anonymous Ciça said...

HAHAHAHAHAHA...SENSACIONAL!!!

Formatura são as mesmas músicas, mas eu A-DO-RO!!! Afinal de contas não tenho tantos casamentos pra ir por ano, ou seja, me esbaldo com a jaca no pé...

4:48 PM

 
Anonymous Virgínia said...

A sua descrição da festa de casamento foi fiel aos fatos! E posso dizer com muito orgulho: o meu foi assim! Claro, sem "Tropa de elite" (graças a Deus casei antes!) e só um pouquinho de axé...
Eu mesma falei para o DJ (aqui no interior não tem banda): toca de tudo, menos funk baixaria e pagode/axé.
Me diverti tanto, mais tanto que nem fotos eu tirei! ahduahduahduh Cadê as foto posadas? Não tem! Só tem a noiva e o noivo despirocados no filme... posso dizer que a festa foi tão elogiada que deu até na rádio local, na segunda-feria seguite. Manchete: Guaratinguetá nunca viu uma festa como aquela! ;)))

5:36 PM

 
Blogger Anninha said...

Ainda não Gastón, férias no Rio até agora! Mas essa semana já acaba a vida de sombra e água fresca, vou pra Sampa e na próxima direto pra Buenos aguardar o frio... já sinto saudades de lá!

6:51 PM

 
Blogger Gastón said...

Fê, casamento aqui em sampa é? Esse mês eu tenho 3 casórios. Eu disse TRES. Ô povo pra casar, afe maria...

Ciça, como eu sei que vc eh uma mulher eclética, festa de casamento é mesmo a sua cara. Eu tb adoro, me divirto muito.

Virgínia, bem mais legal só ter fotos de flagrante. devem ser o máximo suas fotos de casamento. Vc é de Guará? Tenho um amigão na aeronautica aí. Na verdade ele tá vindo de volta pra sampa. Pra fazer o que? Casar ué :0)

Anninha, eu também sinto saudades de lá. E olha que eu fiquei só 4 dias. Vem aqui pra Sampa? Se quiser fazer algo por aqui, estamos de plantão. Sempre.

10:13 AM

 
Anonymous Virgínia said...

Meu pai era piloto da FAB tb... mas morei lá porque a família é de lá, não por causa da Aer.
Tá todo mundo casando, caro Gastón... seu dia na fila uma hora chega! ;)

10:16 AM

 
Anonymous Moskita said...

Muito bom o texto Gastón!
Exatamente por conhecer bem esse roteiro musical (trabalho com cerimonial) que resolvi inovar no meu casamento: 4 horas de rock clássico, "velho", como queiram dizer. Nada depois de 1980. Não sei se agradamos a todos, mas os noivos não saíram da pista...
:o)

4:22 PM

 
Anonymous Aninha said...

"SEM NOÇÃO DA SUA MULHER???????????"
Se eu fosse rica eu chamava o Bel pra cantar no meu casamento.
Na verdade, nem seu eu fosse rica, pq nem namorado eu tenho... hahahaha
Mas, 1 dia, no meu casamento, vc se prepara: vou mandar 1 CD p/ os amigos irem treinando: pode td mundo cantar música do Chiclete! Vai ter que cantar!! hehehe

7:01 PM

 
Blogger ANNA said...

Gasta, a única restrição que eu fiz ao DJ que tocou no meu casamento foi:
- Em hipótese alguma coloque Banda Calypso e Funk!
Calypso de fato não tocou, mas funk teve uma hora que eu me obriguei a ir até ele e autoriza-lo a tocar, porque o pessoal não parava de pedir pra ele e ele dizia que a noiva era quem tinha proibido... resultado, todo mundo vinha me pedir para liberar o funk!

O pior é que eu liberei, ele colocou funk nas caixas e o povo todo dançou até não poder mais, inclusive eu. (ms só aqueles funk's mais levinhos, com letras não ofensivas!)
Beijo
(urb)Anna

8:10 AM

 
Blogger fabiana said...

Eu entro de all star numa boa sem pedir arrego. Quando era adolescente, eu queria entrar na igreja com aquele vestido da mulher do Axl Rose no clipe de november rain... ok. Me senti com 10 anos agora.

11:31 AM

 
Blogger Luciana said...

Eu entrei de noiva com november rain, juro! E saí com all you need is love, dos beatles. Todo mundo adorou! O difícil foi fazer a banda, super acontumada aos acordes matrimoniais, enender meus pedidos. Mas ficou incrível!!!
Lu

1:15 PM

 
Blogger Tati said...

ah, o meu não foi assim não... pra começar eu entrei ao som de gaita de fole, com escocês de saia e tudo... a festa começou ao som de Sade e ao invés da valsa, dançamos forró....
Proibí la bamba e macarena, e nada de axá foi permitido...
e claro, sob o reflexo do meu vestido vermelho, não poderia decepcionar mesmo, né?
bj

8:59 AM

 
Anonymous Flavita said...

O da minha irmã vai ser diferente. Ela e o noivo garantem. Por um lado é bom, mas por outro...acho que vou sentir falta do Village People...

9:48 PM

 
Anonymous Renata said...

Faltou o whisky a gogo do roupa nova...

2:23 AM

 

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