quinta-feira, dezembro 07, 2006

O que a gente vai ser quando crescer?

Pergunta mais ouvida por qualquer ser humano dos 3 aos 13 anos depois de “O que você tá fazendo aí seu moleque desgraçado?”.

Não sei porque mas todo mundo respondia “Salsicha”. Non sense infantil. De onde vem isso eu não me lembro. Mas era inevitável responder.

A profissão mais remota que eu me recordo de ter escolhido foi bombeiro. Todo menino um dia na vida já quis ser bombeiro. Hoje eu penso bem e, fora pegar a Luma de Oliveira, não vejo graça.

Outra profissão que durante boa parte da infância foi meu destino certo é a de veterinário. Aliás, muita gente da minha geração levou a diante essa resolução porque tem mais Pet Shop do que cachorro no mundo. Desisti quando o meu passarinho, morreu.

Aí tem sempre a vida de jogador de futebol. No começo eu queria ser atacante do Palmeiras. Conforme você vai percebendo que é grosso, vai reduzindo o glamour da posição. Virei meio campo do Palmeiras, lateral do Palmeiras, volante do Palmeiras, quarto zagueiro do palmeiras, cabeça de área do Palmeiras, goleiro do Palmeiras... antes que eu chegasse a gandula resolvi mudar de objetivos.

Passei pra um patamar mais elevado. Me lembro de uma prova de português que fiz na quarta série. Lá tinha a fatídica pergunta: o que você quer ser quando crescer? Enquanto todo mundo respondia médico, engenheiro e professsor, sem pestanejar eu emendei: Um astro internacional do Rock.

Comecei a investir na carreira. Minha mãe fez uma guitarra de papelão pra mim. Não posso dizer que parou por aí porque canto, toco violão e percussão até hoje. O mais longe de casa que eu consegui foi tocar na Vila Madalena durante um tempo.

Aos 13 anos eu decidi pela Publicidade. Daí até prestar vestibular mudei mais duas vezes. Minha irmã mais velha é Jornalista. Achei legal ser Jornalista. Desisti porque minha irmã do meio é Arquiteta. Vou fazer arquitetura. E se eu tivesse mais 10 irmãos ia mudar mais 10 vezes de opinião.

Prestei arquitetura, me formei em Design e hoje sou Publicitário conforme decisão tomada aos 13 anos.

Do bombeiro só restou o fato de que eu apago incêndio todo dia aqui na agência.

Do veterinário a vocação pra recolher bicho na rua. Temporariamente suspensa por motivo de moradia inadequada.

Do jogador de futebol não ficou nem vestígio. Inclusive com proibição médica (para o bem do esporte).

Do astro internacional do Rock ainda tenho o chuveiro. Só não posso mais fazer moicano com shampoo...

E agora o que eu quero ser quando crescer?

Salsicha.

8 Comments:

Anonymous Rodolfo said...

Hahaha
Muito bom isso.

Primeiro eu queria ser Oceanógrafo da Marinha. Mas antes tive que me formar em um curso de locução para poder falar isso com 6 anos sem errar a pronúncia.

Comecei a mudar de opinião quando soube que os militares com mais estrelas no peito maltratavam os com menos estrelas.

Desisti quando soube que os militares com menos estrelas depois se tornavam iguais aos militares com mais estrelas.

Ou seja: estrela, nem do mar.

Depois, eu quis fazer eletrônica. Não sei se essa foi bem uma decisão minha ou se me pai me orientou para que eu desmontasse rádios, televisões e outros aparelhos eletrônicos em outro lugar.

Era um segundo grau técnico, eu cheguei a terminar, mas nunca fiz mais do que desmontar coisas e trocar lâmpadas.

Foi aí que eu fui ser publicitário.
E meu sonho é fazer propaganda de salsicha.

11:35 PM

 
Blogger Tati said...

Achou seu lugar, Gastones! Para essa sua veia humorística e criativa, se não fosse isso, seria o Seinfeld.....
Beijos

7:23 AM

 
Blogger Sofia said...

Eu, aos "praticamente 35" ainda não me decidi sobre o que quero ser quando crescer :(
Abraços,

7:31 AM

 
Blogger MH said...

Um dia, devia ter uns 8 anos, contei pra minha avó que queria ser caixa de supermercado. Olha a inocência da criança...

Também quis ser arqueóloga aos 11 e oceanógrafa, aos 12. Desisti, resolvi que um bom curso de mergulho resolvia o problema. E hoje morro de saudades do fundo do mar!

Aí queria ser pedagoga. Ou psicóloga. Fiz psicologia só pra abandonar no fim do segundo ano, quando conclui que adoro ler e conversar sobre psicologia, mas trabalhar com isso ia ser o inferno. Fiz hotelaria. Trabalhar com isso era um inferno. Levei vida de navegante por mais de 2 anos. Virei tradutora, e intérprete. Acho que me achei. Ou não, sempre dá pra mudar de idéia um trilhão de vezes!

Você anda super inspirado, estou adorando! bjos

8:11 AM

 
Blogger Gastón said...

Rods, oceanógrafo da marinha? Que coisa complexa... eu nunca responderia isso, nem com 80 anos. Bom, eu tenho certeza de que você escolheu a profissão certa. Ah garoto, achou que eu ia perder a chance de falar?

Tati, bem que eu podia ser o Seinfeld né? Stand up comedy. Vou pensar no assunto :0)


Sofia, acho que a gente nunca vai saber o que vai ser quando crescer. Sou publicitário agora. Agora se eu tiver que ser por mais 10 anos eu vou me aposentar por insalubridade.


Mh, a Sheila Carvalho era caixa de supermercado. O Brad Pitt era empacotador de supermercado. Supermercado é um passo para a fama.

8:20 AM

 
Blogger mc said...

Rânei,
hahahahaha adorei a lembrança da salsicha! mas vc não conseguiu descobrir pq as pessoas respondiam isso??

1:10 PM

 
Blogger mc said...

Rânei!! Fechei a janelinha do comment e fui perguntar por aí. Me disseram que as pessoas respondiam isso por causa de uma propaganda, do FrigoEder (ou algo assim), em que alguém perguntava pra um porquinho o que ele queria ser quando crescesse. E ele respondia "salsicha, ué".

1:17 PM

 
Blogger Patricia said...

hehe adorei esse post!
Bem geminiano :o)

3:29 PM

 

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