segunda-feira, novembro 27, 2006

Mulheres que amamos: a mulher badauê.

Inspirado nos posts do blog da minha amiga Jeca, resolvi dissecar aqui alguns tipos femininos que passam ou passaram pela minha vida. Bom ressaltar que a Jequinha é minha amiga de infância (bonito isso né Tati?) e tem o poder de denunciar alguns dos exemplos que eu vou citar.

Pra começar essa série que não sei até onde vai se estender, vou falar da mulher badauê.

Pra ser honesto ela não faz muito o meu estilo. Sei lá, vem com esse papo de sociedade alternativa, alimentação alternativa, respiração alternativa... é muita alternativa. E quando você dá muita alternativa pra uma mulher a coisa complica. Ela pode demorar horas pra se decidir.

Também não me imagino com quinze filhos descalços de nomes da natureza do tipo Luar, Brilho, Estrela da Manhã, Por do Sol, Tucunaré, Pirarucu, Cristal, Raio de Sol, Aurora Boreal, Marimbondo, Querido Pônei... Adoro criança, mas meu filho já vai nascer de Adidas no pé.

Um traço grave da personalidade Badauê e uma certa falta de vaidade feminina. E algumas delas são bem gatas. Dá vontade de você pegar a infeliz e esfregar com pedra pome , lavar com bastante shampoo e chamar o esquadrão da moda pra fazer uma fogueira com aquele monte de tai-dai. Isso só em alguns casos porque quase toda badauê que eu conheço usa rasteirinha de couro da praça da república mas vai no remelexo de audi A3.

O grave é quando tem pernas a la Rivelino, chumaço debaixo dos braços e bigodinho. Esse é o maior trio espanta homem da face da terra. E se depois de tudo isso o sujeito for cabra macho e resolver encarar, pode ter uma surpresa debaixo daquela saia indiana. Quem quiser ver a Monga vai no Playcenter.

Mulher badauê curte Raulzito. Já pensou? Ela entra no seu carro e bota lá um cedezão tocando Maluco Beleza? Realmente é de enlouquecer. Mas esse gosto musical duvidoso tem um lado econômico: ela nunca precisa se preocupar com lançamentos porque todos os ídolos dela já bateram as botas há séculos: Raulzito, Jim Morisson, Bob Marley, Janis Joplin, Jimi Hendrix... Mulher Badauê só curte música de defunto.

Garanto que até o presente momento você já lembrou de, pelo menos, umas cinco amigas de escola que formavam um grupinho desses. Se é que você não se lembrou da sua própria adolescência. Não adianta, toda escola tem um grupinho desses. Aquelas que iam fumar um beck atrás da capela, que estavam aprendendo a tocar violão, que faziam teatro, artesanato e foram viajar.

Recentemente constatei que existe um novo grupo: o das Neo-Badauês. Pra encontrar com uma delas é fácil: de dia estão na PUC e de noite no KVA. Neo-Badauê bebe xiboquinha, ouve Fala Mansa e almoça no natureba. Geralmente são absurdamente gostosas e algumas fazem questão de andar sem sutiã.

Se você estiver com uma mulher dessas na sua lista de prioridades, acho que algumas dicas podem ser úteis. Combina de almoçar com ela no indiano perto da Paulista, leva ela pra jantar no... não leva ela pra jantar. Vai no teatro. Leva ela na peça do Oswaldo Montenegro. Aliás ela vai ter uns 3 ou 4 amigos no elenco.

Pronto, tá com moral.

Mas no meio de todo esse arroz integral, zabumba, Boiçucanga, forró e vegetais folhosos, não se deixe contaminar muito.

Mulher badauê tem seu estilo mas homem badauê fica dando pinta de Gabeira.

Ô bicho, sai pra lá com essa sunga de crochê.

18 Comments:

Blogger Rubina said...

Gaston

Eu prefiro mesmo pizza caseira feita por voçê. Comida alternativa vai de vez enquando, mas todo o dia escolhendo o grão que põe na boca, tenha paciência. Espero pela crónica da mulher granfina...lol

Um beijo

9:47 PM

 
Blogger Cláudia said...

Gastón
sabe que eu, com uns 14 anos, morando em Brasília, andava volta e meia com vestidinho de algodão cru da feirinha da Torre de TV, com chinelinho de couro idem e cabelão solto. Acredita?
Mas pra compensar, eu ia na boate do clube da Aeronáutica todo sábado e à piscina todo sábado e domingo pela manhã.
E mesmo morando em Brasília, naquela época o Oswaldo Montenegro já era um chato de galochas.
Era uma badauê light, meio assim punk de butique.
beijo

10:51 PM

 
Blogger Tati said...

Gastón, e vou te dizer uma coisa... Aquela badauê que conhecemos na escola (e que o senhor, por sinal, curtiu por muito tempo) está mais badauê que nunca, aliás, você mesmo viu há uns tempos atrás, né?
Obrigada pela citação, o homem sensível que está lá na Jeca vai gostar das leituras, hehehe
E aproveito o momento para dizer que Jeca vai ter Jequinha, hehehe! Noticia em primeira mão, hein??? Aliás, já até conferi os nomes badauê aqui, sabe que curti Tucunaré?..... rsrsrs
beijos
Inté!

6:26 AM

 
Blogger Re said...

Gastón,
Já fui muito badauê, fiz Belas Artes, vi todos os musicais do Oswaldo, toco violão, namorei um cara que NUNCA usava sapato e quando fui morar em Recife conheci o tipo complementar ao badauê, que é o "sou poeta e moro em Olinda", que além de tudo o que vc descreveu, gosta de Cordel do fogo encantado e escreve poesias ao som de Maracatu, ninguém merece... ainda bem que envelhecemos e trocamos as rasteirinhas de couro de bode por sandalinhas da arezzo com pedrinhas brilhantes.... bjs

9:03 AM

 
Anonymous Anônimo said...

Fala sério, Gastón.. acho que sou a espécie mais antiga de badauê.. tive crise aos 14 anos achando que era reencarnação da Janis Joplin, tinha amigos na preça da república e na galeria do rock.. realmente meus heróis morreram de overdose (ou de aids) e uso chinelindo de couro.. mas nao tenho pernas cabeludas e não sou natureba, não como alfafa e não medito quando o primeiro raio de sol aparece!!KKKK... mas se um dia entrar no seu carro, CERTEZA que vou colocar o CD do Raulzito no úúúrrrrtimo, mesmo que seja só p/ te irritar!!!hehehe... é, Gastón, por isso somos amigos, né? Pq com amigos vc pode ser extremamente sincero e mandar para aquele lugar de vez em quando!!!hahahaha... amei esse post! Beijocass
Caia

9:18 AM

 
Anonymous Rodolfo Barreto said...

Hahaha
Cara, eu não consigo parar de rir por 2 motivos:

1) É o raio-x da mulher badauê.

2) o título é mulheres que amamos e você só fala bem no décimo parágrafo.

Sensacional. Uma vez me disseram o seguinte: "pra alguma coisa ter graça de verdade, você precisa sacanear alguém"

Taí. E quem não quiser ouvir que aumente o Oswaldo Montenegro.

9:20 AM

 
Blogger Gastón said...

Rubina, minha amiga d'além mar, vc não deve ter entendido muitos dos termos desse post... coisas como xiboquinha, remelexo... Pode deixar que vai chegar o dia da Patricinha (que eh a mulher cheia de dinheiro por aqui)

Clau, você? Até tu brutus? Laiá heim...

Tati, tem uma lista de badauês da nossa escola. Acho que a mais gata de todas era a Grega. MAs era badauê de boutique né... Agora quem eu curto mesmo é a Caia. Curto com a cara dela até hoje ;0)

Rê, a sua vida é uma coisa espetacular. Cada coisa que vc me conta eu fico aqui rindo sozinho. O Poeta de Olinda foi antes ou depois do Cigano surdo mudo?

Maria Clara, você é badauê mas sempre foi limpinha :0) E minha vida sem você teria sido muito menos divertida. Agora Raulzito no meu carro, no way. Ele engasga se tocar um treco desses.

Mas Rods é isso cara. Apesar de tudo, a gente continua amando elas. Tá vendo como a gente é complacente e bonzinho? Tô pensando em falar sobre a mulher carola, o que vc acha?

9:48 AM

 
Blogger Tati said...

mas a badauê de quem falei se chama fernandinha, moço......... é ou não é a badauê mor?
beijos

11:07 AM

 
Blogger Gastón said...

Noooooooossa, é mesmo. É que naqueles tempos a gente era obrigado a usar uniforme... aí o badauê não ficava tão evidente. Mas realmente, a Fe é badauê que dói.

11:22 AM

 
Blogger Rubina said...

Gastón

Sim realmente houve termos que não entendi, mas no geral deu para "quebrar o galho sim"...lol...Percebi que a badauê é aquele tipo de moça típica dos anos 60, que é vegetariana, love and peace, que pode ser hippie, que nao come MacDonalds, etc. Não sei se estou muito longe, mas aguardo pela Patricinha.... :)

Já viu o post em que convido a malta para vir ao seu blog??? xxx

Abraço

12:56 PM

 
Blogger Sandra said...

sabe que uma vez fui fazer uma viagem pelo litoral norte da bahia e encontrei uma verdadeira badaue das antigas, que ainda vivia nas antigas. a primeira coisa que ela falou pra mim quando entrei na sua aldeinha foi: vc tem um beck? Nao exatamente beck mas algum outro eufemismo pra maria joana. Nao contente com a negativa da resposta, ela viu que eu tinha uma maquina fotografica na mao e falou: entao vamos tirar uma foto - que ela sabia que jamais veria. Aí ela se postou a minha esquerda e colocou o subacao bem em cima do meu ombro. Essa experiencia foi bem marcante na viagem, pelo menos ateh eu voltar pra pousada, já que eu lembrava dela todos as vezes que olhava para a esquerda. ;-)

1:40 PM

 
Blogger mc said...

Rânei,
como é que vc sabe o que é pedra pome??????
adorei o post!
bjs

3:13 PM

 
Blogger MH said...

ai ai... posso confessar que gosto um pouco de umas músicas do raulzito? NÃO SUPORTO o Oswaldo Montenegro, adoro um bom banho e uma tortura periódica a base de cera quente (até laser, se deixarem)... mas cada um, cada um, né.
tá empolgado essa semana, hein?
bjo

3:19 PM

 
Blogger Lala said...

Adorei tudo Gastonzito. A descrição da mulher badauê tá perfeita. Por mim, além do Oswaldão, ela ouve Caetano, acha mais é que o gil tinha que ser ministro mesmo, e, obviamente, vota no Lula.

Beijos Lindo.

3:31 PM

 
Blogger Re said...

mc, quando li a parte da pedra pome também me questionei. bjs

4:34 PM

 
Blogger Gastón said...

Rubina, obrigado por divulgar entre os patrícios rsrs.

Nossa San, que trash hahahahaha. Vc tem a foto?

Quem é vivo sempre desaparece né D. Lala... tenho falado mais até com o Juliano!

Rânei e Rê, imaginem o seguinte:
você tem irmãs. Duas irmãs. E você tem um banheiro. Um banheiro. Pegaram?

Mh, tô inspirado essa semana. E vcs também, tá cheio de visitas o blog :0)

4:42 PM

 
Anonymous Anônimo said...

Tinha uns chinelos com sola de pneu que eram o antepassado da reciclagem, medonhos. As patricinhas (que também ouviam Oswaldo, pelo menos aqui em Brasília) iam de melissa coca-cola com meia. Chulé invencível, porque só as importadas eram perfumadas. Me contaram...
Bjs. Rosana.

9:43 PM

 
Blogger Ana Téjo said...

Es-pe-ta-cu-lar.
Adorei.
Sim, eu sei exatamente do que você está falando e, sim estamos tendo uma overdose disso aqui, na Vila Madalena. Ontem mesmo, vi duas badauês abraçadinhas que me deixaram até com medo! Eram A Maria Bethânia, versão neo hippie badauê, totalmente montadas, prontas para uma noite com muito broto de bambu, muita almôndega de soja, muito chá verde e muito, mas muito Zé Ramalho mesmo.
Afff!

3:09 PM

 

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