domingo, janeiro 06, 2008

Psicologia infantil.

Natal é feito pra criança. Também pudera: presentes a rodo dados por toda a família. E é só nisso que eles pensam, é isso que tira o sono do dia 23 pro dia 24 e é isso que faz eles ficarem impacientes esperando a hora do Papai Noel. Pra quem ainda acredita, claro.

Eu me lembro que ficava alucinado com a perspectiva de ganhar brinquedos. Ia na casa dos meus tios que nem um tiranossauro rex, pronto para estraçalhar embrulhos, sedento por pacotes inocentes. E ai de quem me desse roupa.

Mas imagina só, você tem basicamente 3 datas infantis no decorrer do ano onde pode rolar uma esbórnia: aniversário, dia das crianças e Natal. De resto, há de se contar com a boa vontade dos pais e exercitar seu lado mais chupim, afim de faturar alguma coisinha numa ida ao shopping ou ao supermercado.

Dia 25 de dezembro rolou o tradicional almoço Natalino na casa da minha mãe. Família toda reunida. Inclusive o caçulinha, legítimo espécime da classe dos encapetadus infantilis de 4 anos, Lucas.

Fiquei incumbido de assar o tender, por isso cheguei mais tarde. A molecada já tinha ganhado todos os presentes, exceto os meus.

Eu, de pé na base da escada com o pacotinho embaixo do braço.

O Lucas, em algum lugar no andar de cima, provavelmente dentro de algum armário ou enfiado embaixo da cama.

- Lucas.
E vem aquela vozinha abafada e enrolada. - Eu tô aqui fazendo ghjsaefawdfsfasdf.....
- Luuuucaaaas.
- Eu tô ghdfjghskdjhgskf....
- Ô Lucas, vem aqui.
- Não dá, eu to aksdjhfuwierhfaksjdf.....
- Lucas, vem aqui moleque.
- Pô, to sdfsdkjfslkdjlf....
- Lucas, vem aqui pra eu te dar seu presente.
- OOOOOOOIIII TIO GASTÓN!

Lembra daquele lance do teletransporte? Meu sobrinho já domina.

- Olha, o tio trouxe seu presente.

Manja miquinho de floresta? Que você pega um pedacinho de banana e fica segurando pra ele? O macaquinho fica lá, em cima da árvore te olhando, vem devagarinho, pega a banana e sai correndo de volta pra árvore? Foi isso. Ele me olhou, desceu, catou o pacote e sumiu na selva.

Alguns minutos depois eu vejo o Luquinha sentado na escada, choramingando, louco da vida.

- Eu não queria isso, queria o monstro super mega power chamberlain com armadura de aço que solta fogo pela boca...

Bom, o rapazinho queria ganhar isso (além dos outros 6 mil brinquedos que viu no Cartoon Network durante o ano), ninguém deu, eu era a última esperança. Mancada, dei um baita carrão pra ele, todo tunado que acende embaixo que nem mouse.

- Pô Luquinha, não gostou do carrão que o tio te deu?
- Não.
- Beleza, então vou levar pra minha casa e brincar com ele.
- NÃÃÃÃÃÃÃÃO.

Golpe baixo, eu sei. Mas resolve que é uma beleza, começou a amar loucamente o carrinho. É uma merda mas é meu. Que nem dono de fusca.

Passou o resto do dia com cara de árvore de natal, com todos os presentes pendurados, enlouquecido, correndo pra cima e pra baixo.

Pois é, pra saber exatamente como lidar com um molequinho desses só precisa de uma coisa: ter sido um exatamente igual.

21 Comments:

Anonymous Anônimo said...

uma desconhecida como primeiro comentário.. será que eu posso??

bem, tenho lido seu blog há tempinho já, e ontem resolvi ler tudo desde o início (junho de 2006)... noooooooossa, acho q nunca ri tanto na minha vida.

PARABÉNS.

Camila

9:42 PM

 
Blogger Gastón said...

Camila, se você pode? Não, você DEVE. Putz, desculpa ter feito você perder tantos neurônios lendo tudo o que eu escrevi. Em doses cavalares assim pode fazer mal. Não viu a Ciça? Nunca mais foi a mesma... Venha sempre, comente sempre.

10:04 PM

 
Blogger Cláudia said...

Gastón
meu sobrinho de 6 anos, finda a noite de natal, vira-se pra minha mãe e pergunta se Papai Noel vai passar de novo no dia seguinte, porque ele não tinha ganhado NADA do que ele queria.
Isso porque ele foi o que mais ganhou presentes.
Toca meus pais no dia 26 irem até a loja providenciar um "boneco que dá soco" e dizer que Papai Noel tinha deixado entre a árvore de Natal e o armário...
São uns saquinhos sem fundo, não?
beijo e feliz ano novo!

10:56 PM

 
Anonymous Anônimo said...

Que mancada desdenhar o carrão! É aquele que cê tinha comentado que ia comprar?
Beijos...
Ana Clara
P.S.: Ficou pronto o CD que eu fiz pra vc, viu? :-P

12:36 AM

 
Blogger yaralucas said...

Uia, eu acho que era uma criança zen, hahaha. Qualquer coisa que eu ganhasse ficava feliz, podia ser até aquelas boneconas de plástico com um topete de plástico não tinha problema... bons tempos aqueles. Esse ano Papai Noel não me trouxe a Porsche, buá, bom velhinho uma ova. :o)

7:49 AM

 
Blogger ANNA said...

São uns pentelhinhos essas crianças...
Mas a gente bem que ADORA, não é?

Beijo
(urb)Anna

8:25 AM

 
Blogger Gastón said...

Clau, são mesmo. E a gente estraga eles que é uma beleza, não? Lembro da sobrinha de uma ex namorada minha que tava chorando porque naquele ano tinha ganhado só 14 presentes ao invés de 15 como no ano passado. Mundo perdido...

Clarinha, aquele mesmo. Hum tá pronto meu CD é? Cool.

Yara, criança Zen é? Que maravilha, seus pais deviam adorar isso. E o filho de um amigo meu que pediu bolinha de gude e pirulito de natal? Hahaha, excelente.

Anna, a gente se derrete né? Eu adoro meus sobrinhos, são umas figuraças.

9:47 AM

 
Anonymous Ciça said...

Minha maior frustração foi qdo repeti de ano e meu pai disse que eu não ganharia presente de Natal. Achei que era papo.
Minha irmã ganhou um lindo Patins In Line e eu??? NADA!!! NADA!!!
Foi o pior Natal de todos...ainda tenho traumas por conta disso...
Beijoo
PS.: Em tempo, realmente Camila, eu nunca mais fui a mesma. Me tornei mais alegre, mais feliz e menos produtiva no trabalho, já que de hora em hora dou uma espiadinha aqui (vai que o Gastón resolve postar mais de um texto no dia...a esperança é a última que morre...)

10:11 AM

 
Anonymous Anônimo said...

Umas das minhas sobrinhas, num natal em que eu estava durésima soltou a pérola: poatz...super massa, q droga!

11:19 AM

 
Blogger "a" MH said...

Adorei a psicologia infantil. E bem que vc ia se divertir (um pouquinho)se levasse o carrinho pra casa!

1:19 PM

 
Anonymous Fernanda Salgado said...

Olha, na minha família não tem mais criança... Dei um pedal de distorção para o meu primo adolescente que está tocando guitarra e o moleque se amarrou.

Mas nas famílias ao redor existem crianças e eu não sei lidar com elas. Fui comprar um presente de natal para uma linda princesinha da 6 anos. Comprei a Barbie mais linda do mundo, daquelas que a gente arranca da caixa e já sai brincando. E a menina... Bem, ela olhou, falou "obrigada, tia Fernanda" e deixou no mesmo lugar. Puuutz.

Fiquei frustrada. Queria a Barbie de volta. Eu ia brincar na hora!

2:33 PM

 
Blogger Lady Hell said...

Hehehe...passei por uma situação parecida com a tua, Gastón.

Dei um Batman com scuba diving e mais umas outras coisas divers de brincar na água. Meu sobrinho, 6 anos, me disse:
"Aaaahh, não é o Max Steel!!!"

E eu, babando naquele Batman...xD

ai ai...da próxima, compro pra mim, xD

2:58 PM

 
Blogger Gatta said...

Durante quase 20 anos, permaneci como a caçula da família inteirinha. Daí meu primo, que mora nos EUA, inventa de fazer um filho. O novo caçulinha -- estou com ciúmes -- apareceu here in Brazil para ver a vovó no Natal. Teve um almoço de Natal e minha mãe escolheu com todo o cuidado uma roupa maneira pro reizinho. Devo confessar que o pivete ganhou meu respeito. Um poço de sarcasmo de cinco anos de idade, abriu o embrulho e fuzilou a minha mãe, dizendo:

- Where is my present?

3:49 PM

 
Blogger Gastón said...

Ciça, sério? Caraca, isso traumatiza. Olha, aquele e-mail foi presente de Natal viu, juro que foi . ps. - Seus chefes vão me processar, é isso?

Anônima, isso é uma droga né? Além da cara de descepção, vc ainda pensa "pô, morreu uma grana nesse negócio".

Beibe, como vc bem sabe eu estava de olho no carrinho. Ia ficar legalzão aqui na minha mesa de trabalho, com a luz acesa.

Serio Fê? Minha afilhada tem 6 anos e nesse natal eu dei a quinta barbie pra ela. Dessa vez foi uma princesa sei lá das quantas de uma ilha sei lá de onde.

Lady Hell, O Lucas é alucinado pelo Max Steel tb. É o falcon dos tempos modernos. Ele ganhou uma espada que faz barulho de metal do Max Steel. E saiu matando a família toda.

Gatta, andou sumida daqui heim? Humpf, nada como um bom papo no messenger :0). Fenomenal esse moleque heim? Se eu fosse pai dele dava um beliscão na bunda dele e fala: Merry Christmas.

4:24 PM

 
Blogger Fabiana said...

Antes de comprar presente pra criança é interessante pedir algumas dicas. Eu sempre falo pra darem 3 opçoes, assim fica mais tranquilo.

5:43 PM

 
Blogger MH said...

Eu e meu sobrinho de 5 anos conversando no natal.

- Tio, eu vou ganhar um video game no natal
- Jura, e quem vai te dar?
- O Papai Noel, dããããããããããã.

E ficou ali calado como se eu fosse a mais imbecil criatura do mundo. Crianças.

6:26 PM

 
Blogger Keep walking said...

meu sobrinho postiço é assim mesmo, igualzinho. Vira e mexe dou um presente e não importa o que é, um chiclete ou um mega carro iluminado: ele nunca gosta, deixa de lado. Ok, aí vem o ritual: falo que vou pegar de volta, coloco na estante. Dois mnutos depois, ele dá um jeito, pega o presente esconde na mochila, continua jurando de pés juntos que não gostou mas chega em casa e não larga por nada...

12:31 AM

 
Blogger Gastón said...

Fabi, isso não funciona muito com o Lucas. Porque ele não tem 3 opções, ele tem 182 opções. Sempre vão faltar uns 170 e tantos presentes.

MH, a hora que ele descobrir quem dá os presentes essa relação muda meu chapa. Ele vai comer na sua mão.

Keep, funciona que é uma beleza, não é não? Eu também caia nessa direto quando era pequeno.

8:45 AM

 
Blogger Rodolfo Barreto said...

Eu acreditava em papai noel. Só não conseguia crer como aquele sujeito saía limpinho da chaminé.

Eu rolava de um lado pro outro no chão. Minha mãe dizia que eu não ia durar até meia-noite, que tinha que receber o papai noel limpo.

E lá vinha a imagem dele passando por aquela chaminé. Será que ele vai chegar com aquele cheiro de tio fumante? Não importa. O que importa é o que tem dentro daquele saco vermelho.

Eu tenho essa mesma dúvida em relação à garças brancas em córregos lamacentos, mas isso é uma outra história.

9:27 AM

 
Blogger ANNA said...

Natal deveria ser sinonimo de criança. Natal sem criança é uma merda...
Já obriguei meu irmão ou minha irmã fabricarem um sobrinho rápido para dar tempo de nascer até o Natal desse ano, ou corremos sério risco de extinguir essa comemoração da Família Fischer! Tá muito chato...

10:55 AM

 
Blogger Gastón said...

Rods, do jeito que vc é, meu chapa, deve ter ficado de guarda na chaminé a noite inteira. COm uma canequinha de café do lado.

Anna, hahaha, obrigar a fabricar um sobrinho é ótimo. Bom, eles deviam estar apostando em você. Aí um deixa pro outro e nada de criança.

1:58 PM

 

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